Uma vez que a maioria das fotografias foram feitas em locais públicos mas sem autorização dos intervenientes, se por qualquer motivo não desejarem que sejam divulgadas neste blog entrem em contacto comigo para que sejam retiradas de imediato. Não é intenção prejudicar alguém com a divulgação das fotos em questão nem tão pouco lucrar com as mesmas. O email de contacto está disponível no perfil .
Creative Commons License
Este Blog está licenciado sob Licença Creative Commons

Domingo, 1 de Junho de 2008

A criança que fui chora na estrada

 


 

 

 


I


A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

II

Dia a dia mudamos para quem
Amanhã não veremos. Hora a hora
Nosso diverso e sucessivo alguém
Desce uma vasta escadaria agora.

E uma multidão que desce, sem
Que um saiba de outros. Vejo-os meus e fora.
Ah, que horrorosa semelhança têm!
São um múltiplo mesmo que se ignora.

Olho-os. Nenhum sou eu, a todos sendo.
E a multidão engrossa, alheia a ver-me, Sem que eu perceba de onde vai crescendo.

Sinto-os a todos dentro em mim mover-me,
E, inúmero, prolixo, vou descendo
Até passar por todos e perder-me.

III

Meu Deus! Meu Deus! Quem sou, que desconheço
O que sinto que sou? Quem quero ser
Mora, distante, onde meu ser esqueço,
Parte, remoto, para me não ter.

 

 

 Fernando Pessoa

 

 

 

 


deixado aqui por J.C. às 04:38
link do post | comentar | ver comentários (22) | favorito
|
Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

aqui neste profundo apartamento











Aqui neste profundo apartamento
Em que, não por lugar, mas mente estou,
No claustro de ser eu, neste momento
Em que me encontro e sinto-me o que vou, Aqui, agora,  rememoro
Quanto de mim deixer de ser
E, inutilmente, [....] choro
O que sou e não pude ter.


Fernando Pessoa




deixado aqui por J.C. às 14:13
link do post | comentar | ver comentários (9) | favorito
|
Domingo, 27 de Abril de 2008

Antes o vôo da ave










Antes o vôo  da ave, que  passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada

A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!



Fernando Pessoa







deixado aqui por J.C. às 22:55
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|
Creative Commons License
Este Blog está licenciado sob Licença Creative Commons

Novembro 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
26
27
28
29

30


o que eu digo

Não tenho sono ... aturem...

Amanhã ...

8000

Alguém escreveu assim ......

O cemitério dos sonhos

Algum dia havia de ser .....

É só para dizer ...

O vazio

Equipamento

O 25 ...

posts recentes

A criança que fui chora n...

aqui neste profundo apart...

Antes o vôo da ave

outros tempos

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

tags

todas as tags

por onde ficar

procurar por aqui

 

Galeria

badge

contadores

View blog authority
hit counter

jmack


ver perfil

seguir perfil

. 38 seguidores

subscrever feeds